Do feijão à cerveja: Irecê recebe sua primeira loja especializada em rótulos artesanais

Quem reside na região de Irecê ou viaja pela famosa “rota do feijão” na Bahia pode encontrar uma nova alternativa para adquirir cervejas artesanais. A loja Cervejaria Premium é a primeira do ramo a funcionar na região. Oferecendo desde rótulos internacionais, como a cerveja Guinness, passando por cervejarias nacionais (Invicta, Blondine, Baden Baden etc.), baianas (MinduBier, FeyhBier dentre outras) e locais (MM, Confraria Clandestina e Genuína Fulô), a carta da Premium é formada por 74 rótulos disponíveis em latas, garrafas e três torneiras.

Marcos Balisa, proprietário da Cervejaria Premiun.

“Sou daqui de Irecê, passei mais de vinte anos morando em São Paulo e Minas Gerais. Recentemente, decidi voltar para minha terra natal e percebi que cidade não tinha uma loja especializada em cerveja artesanal; foi aí que decidi criar a Cervejaria Premium”, disse o proprietário Marcos Balisa, que inaugurou a loja em agosto do ano passado. “Antes disso, era possível encontrar eventualmente uma ou outra cerveja artesanal disponível em bares ou restaurantes da região, até mesmo na Chapada Diamantina. Somos primeira loja do ramo a funcionar por aqui”, complementou.

Torneiras e parte dos rótulos disponíveis na Premiun.

Durante o tempo em que viveu fora da Bahia, Marcos buscou aperfeiçoar seu conhecimento provando e estudando rótulos de cervejarias famosas de São Paulo, como a Dogma, e internacionais, como a Guiness, uma de suas preferidas. “Ao montar o negócio, percebi que o grande público aqui de Irecê precisava de uma ‘cerveja de passagem’, isto é, aquela que atende o sujeito acostumado às marcas industriais, mas que nutre o desejo de beber as artesanais; por isso, entendi ser importante disponibilizar cervejas ‘puro malte’, como a Heineken e Einsenbahn, para ajudar na transição do paladar de iniciantes que pretendem migrar das cervejas comuns para as artesanais”, argumentou Balisa.

Visual da MarokIPA, criação da Cervejaria MM, de Barra do Mendes, região de Irecê.

O empresário ressaltou que a Premium possui também outras pretensões , por exemplo, servir de espaço para eventos locais ou mesmo para conversas e troca de experiências entre cervejeiros de Irecê e região. “Tem muita gente talentosa fazendo cerveja por aqui, como Fladio (Cervejaria MM), Breno (FuskIPA), Menandro (Confraria Clandestina) e Danilo (Genuína Fulô). A minha ideia é também criar um ambiente para reunir essa turma, fazer parcerias para disponibilizar as cervejas deles nas torneiras daqui” revelou Marcos, enquanto me apresentava provas dos chopps MarokaAPA e MarokIPA da MM, que estavam conectados; provamos também em garrafa a NE IPA e IPA com Galaxy da Confraria Clandestina

IPA com Galaxy, criação da Confraria Clandestina, de Irecê.

A cervejaria Premiun funciona na Avenida 1 de Janeiro número 448, em frente ao Mercadinho do Coração, no centro de Irecê, aberta de terça a domingo das 14h até o último cliente. Além da carta citada acima, a Premium oferece opções de harmonização como burguers, porções de mini-hamburguer, picanha, contra-filé dentre outros.

Lupulado sendo recebido por Marcos Balisa.

 

Pega Visão: Conheça dois novos rótulos da MinduBier

A semana que antecedeu as festas de final de ano foi celebrada com lançamento em dose dupla da cervejaria soteropolitana MinduBier. Conhecida pelo slogan “baianamente artesanal”, a Mindu lançou a Double New England IPA MinduHaze e a Russian Imperial Stout CumaRIS, com produção de 2.000 e 1.000 litros, respectivamente. “Hoje separamos nosso portfólio em rótulos de linha e sazonais. A MinduHaze e a CumaRIS são sazonais, enquanto a MinduIPA e Mindu Summer, por exemplo, são de linha, produzidas de forma ostensiva. O plano é ter todo mês pelo menos um lançamento sazonal”, disse o cervejeiro da Mindu, Gustavo Martins. O portfólio da cervejaria conta com outros rótulos exclusivos e colaborativos, dentre eles a conhecida MinduIPA, a MinduPils, MinduSummer, a Salted Caramel Peanut Cake, colab com a cervejaria 5 Elementos e recentemente premida no Slowbrew com a medalha de prata etc.

O cervejeiro da MinduBier, Gustavo Martins, apresentando suas duas novas criações: MinduHaze e CumaRIS.

A MinduHaze e a CumaRIS foram produzidas em uma parceria com a cervejaria Dádiva, em um modelo que vai além da já conhecida ciganagem. “A Dádiva contribui também com a equipe de vendas em toda a rede de clientes que a cervejaria possui. Desta forma, podemos distribuir as cervejas para diversos estados do Brasil”, revelou o Gustavo, que é autor destas receitas, exclusivas da MinduBier. “Esses dois rótulos vêm para mostrar para todo o Brasil do que somos capazes”, complementou o cervejeiro.

Rótulos da MinduBier: a conhecida MinduIPA e as sazonais MindHuaze e CumaRIS.

CumaRIS

Bem escura, cremosa, o aroma entrega a presença do cumaru logo no primeiro plano, seguido de notas de café, cacau e licuri. A sensação de boca é reforçada pelo acréscimo de lactose, deixando a cerveja bem encorpada. Aliado a esta composição, a CumaRIS traz alto amargor (80 IBU) e elevado teor alcoólico (12,5 %ABV). Por conta do estilo e da presença do licuri, a comparação com a LicuRIS, outra RIS do portfólio da Mindu, tornou-se inevitável. “São cervejas completamente diferentes. A LicuRIS é uma collab com as cervejarias Dádiva e Augustinos. Discutimos o grist juntos e a produção foi toda em colaboração. A LicuRIS tem como protagonista o licuri, nosso famoso coquinho do interior da Bahia. Já a CumaRIS é uma receita exclusiva da Mindu que traz o cumaru como ingrediente principal, além do cacau, café e, também, o licuri”, destacou Gustavo.

Visual da CumaRIS

MinduHaze

Já a MinduHaze, via de regra, apresenta a coloração turva típica das New England IPA. O aroma é marcante, frutado, cítrico, com forte presença de notas de maracujá e abacaxi. O primeiro gole revela amargor acentuado, causado pela carga de lúpulos utilizados e por conta do duplo dry-hop. Além deste amargor  (50 IBU), a MinduHaze também  apresenta considerável teor alcoólico (ABV 7,9%), justificando sua classificação como double imperial NE IPA.

Visual da MinduHaze

Um aspecto curioso foi a diferença no aroma da MinduHaze quando provamos esta cerveja em lata, oqual pareceu mais acentuado do que a servida na torneira. “Talvez o recipiente influencie de alguma forma, pois o liquido é o mesmo. Inclusive nem a CumaRIS e nem a MinduHaze foram pasteurizadas”, finalizou.

Turbidez da MinduHaze, típica do estilo NE IPA.

As duas novidades da MinduBier podem ser encontradas em latas e torneiras nos principais pontos de venda em Salvador, como as lojas Vitrine da Cerveja e Cerveja Salvador, além de outras casas especializadas  em cerveja artesanal pelo Brasil.

 

Juazeiro recebe sua primeira fábrica de cerveja artesanal

Foi inaugurado no último dia 06 o primeiro Brew Pub, e consequentemente a primeira fábrica de cerveja artesanal, na cidade de Juazeiro, Bahia. A Cervejaria NordHaus funciona nas instalações da novíssima “Vila Bossa Nova”, um complexo de estabelecimentos situado na orla do Rio São Francisco, que fica próximo ao monumento do Vaporzinho. Brew Pub é um tipo de fábrica que vende a cerveja no próprio local de produção; trata-se de uma forma de garantir que a cerveja fabricada por lá esteja sempre fresca, sem sofrer os desgastes típicos do transporte e do armazenamento de garrafas ou latas.  A capacidade de produção da fábrica da NordHaus chega a 24 mil litros; seis estilos podem ser encontrados nas torneiras: Pilsen Weiss, Lager, Red Lager, IPA e Imperial Stout.

O cervejeiro da NordHaus, Emerson Castro.

“Contratamos um consultor renomado, o mestre cervejeiro Ilceu Dimer, que aperfeiçoou as nossas receitas. Nesta primeira semana, notamos que a IPA foi uma das cervejas mais pedidas pelos clientes; a Red Lager também teve uma procura muito boa. ”, disse o cervejeiro Emerson Castro, um dos sócios da NordHaus. A IPA Nordhaus é bem seca e cremosa, lembrando as IPAs americanas, razoável teor alcoólico (5,5% ABV) com amargor moderado (50 IBU). Já a red lager, além da cor avermelhada, apresenta notas suaves de caramelo, pouco amargor e  baixo teor alcoólico.  Junto dos pedidos nas mesas, o público dispõe de um modo self-service, isto é, eles e elas podem tirar diretamente o chopp nas torneiras, que é controlado por um sistema operacional especifico. O litro de chopp no sistema self-service custa entre R$ 20 – 35 reais. A Nordhaus dispõe também de uma loja com produtos temáticos, como Growlers, bonés, camisetas, copos etc.

Acima, régua de degustação com Pilsen, Lager, Red Lager e Imperial Stout. Abaixo, a IPA da Nordhaus.

“No primeiro momento,vamos trabalhar com torneiras e a produção da casa. Em janeiro, estaremos disponibilizando as primeiras cervejas engarrafadas. Em fevereiro, pretendemos abrir a casa para cervejarias ciganas. Queremos também fazer eventos com os demais cervejeiros do Vale do São Francisco, como o Oktober Fest que acontece anualmente na HausBier, em Petrolina”, falou Emerson, que também é sócio da HausBier junto de seus cunhados, os empresários Ubaldo e Ubiratan Rios, e dos sobrinhos cervejeiros, Mancell e Birinha Rios. A família também é responsável pelo funcionamento da NordHaus.”A NordHaus nos dá a oportunidade de produzir e oferecer nossas próprias cervejas, visto que a HausBier é uma franquia e por isso devemos seguir obrigatoriamente a receitas deles”, explicou Emerson.

Tanques na fábrica da NordHaus.

Outro aspecto destacado pelo cervejeiro foi contratação dos colaboradores que trabalham na cervejaria. “O pessoal chegou aqui para fazer a reforma e instalar os equipamentos neste casarão, que data de 1892. A maioria ficou desempregada quando concluímos a obra, aí eu perguntei se eles queriam continuar, se estavam afim de aprender novas funções etc. Investimos na capacitação deles. Os colaboradores e as colaboradoras que você está vendo aí agora, trabalhando como garçons, garçonetes, atendentes, na cozinha etc., foram os mesmos que me ajudaram a construir a fábrica”, finalizou Emerson.

Serviço:

Cervejaria NordHaus

Vila Bossa Nova, Orla 2, Juazeiro, Bahia

Funcionamento: De segunda a sexta depois de 17h /Sábados e domingo a partir de 12h.

Veja algumas imagens  e  vídeos do que rolou por lá no último final de semana!

Os cervejeiros Marcos “Kiko” Vianna (esq), Mancell Rios e Edinho Galvão saboreando os estilos da NordHaus

O cervejeiro Ubiratan “Birinha” Rios nas torneiras da NordHaus.

O empresário Ubaldo Rios (centro) e o cervejeiro Diógenes Batista (dir.

Lupulado cercado pelos amigos Marcos “Kiko” Vianna (dir) e jornalistas Fávio Ciro e Luiz Hélio Alves (esq).

Com os amigos de longa data, agora colaboradores da NordHaus, Alessandro (esq) e Danilo

 

Prefeito de Juazeiro, Paulo Bonfim (esq), e o Deputado Estadual-BA, Zó, prestigiando a NordHaus e a Vila Bossa Nova.

Roda de chorinho aos domingos, a partir das 14h, com o grupo Matingueiros.

Beba Local: Vai começar o III Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco

No próximo sábado (09) acontece em Petrolina a terceira edição do “Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco”, um evento que reflete o cenário cervejeiro da região. Como nos anos anteriores, a festa acontecerá na Chácara Millenium funcionando no sistema de “torneiras abertas”, isto é, o cervejeiro pode degustar à vontade os rótulos servidos no festival. Até agora, 23 cervejarias da região já confirmaram presença, disponibilizando mais de 20 rótulos de 15 estilos  diferentes de cerveja. Ainda dá tempo de conseguir seu ingresso.

“O Festival é uma forma incentivar o público do Vale do São Francisco a nos procurar e começar a fazer cerveja artesanal. Neste ano teremos novos cervejeiros participantes”, disse Felipe Zoby, membro do coletivo Cervejeiros do Vale, os organizadores do evento, que esperam por volta de 300 participantes em 2019. “A gente também fez uma mudança no horário, começando a partir das 14h por conta do calor; procuramos também revezar as bandas que irão se apresentar no evento(neste ano serão Doctor Blues e The Odd Folks) e fizemos uma parceria com o Gelo & Sal, atualmente um dos restaurantes preferidos da galera, que terá exclusividade nos pratos oferecidos para harmonização com as cervejas”, complementou Zoby.

Felipe Zoby com o prêmio de melhor cerveja pelo voto popular na edição passada do Festival de Cerveja Artesanal do vale do São Francisco-

A tap list preparada para o III Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco apresenta estilos conhecidos do publico da região, como Lager, APA, IPA, Witbier etc., e outros que ainda não haviam marcado presença nas edições anteriores, como a Kveik Farmhouse Ale e a Dark Strong Ale. Outros destaques na tap list são a maior oferta de New England IPA (NEIPA), com três rótulos de três cervejarias distintas, e uma cerveja colaborativa estilo Saison, feita com uva Vitória. “Neste ano, a minha cervejaria (Maribondo Sam) está apostando numa edição da Padim Cicerista, que criamos especialmente para o festival, envelhecida com chips de carvalho; será a primeira vez que serviremos ela em barril, sem refermentação em garrafa!”, finalizou Zoby, que foi o grande vencedor no voto popular na edição do ano passado com uma porter de chocolate e menta.

Paranorama da Chrácara Millenium, durante a edição passada do Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco”.

 

Os ingressos para o festival podem ser adquiridos pelo preço inicial de R$100 através do link no Sympla ou nos pontos de venda: Empório Saint Anthony, RockDog, Hamburgueria 961, Doutorado do Chopp, em Petrolina; Top Distribuidora e Gelo & Sal, em Juazeiro.

Lupulado no Mondial de La Biére Rio 2019.

Mais de 100 expositores, dentre eles cervejarias do Brasil e do exterior, participam da sétima edição do Mondial de La Bière, um dos maiores eventos cervejeiros do Brasil que acontece anualmente desde 2013. No total,  cerca de 1.080 cervejas de diversos estilos estão disponíveis para degustação. Dentre elas, 396 rótulos disputaram o MBeer Contest Brazil,  uma famosa competição interna feita a partir de uma avaliação às cegas.  Em 2019, a abertura do evento foi no último dia 04 e os trabalhos se estendem até hoje (08), ou seja, ainda dá tempo para visitar! As entradas custam R$50 (meia), R$ 100 (inteira), R$ 55 (com um quilo de alimento não perecível) e podem ser adquiridas na bilheteria a partir das 12h . A exemplo da última edição, o evento acontece nos armazéns 2, 3 e 4 no Pier Mauá, zona portuária do Rio.

O Blog Lupulado esteve no Mondial de la Bière Rio na quinta-feira (05). É impossível provar todos os rótulos disponíveis em um único dia, mesmo chegando logo na abertura dos portões, às 16h. Como de praxe, elaborei um roteiro buscando provar os rótulos premiados na edição do MBeer Contest Brazil 2019  além de degustar minhas cervejas preferidas.

A primeira parada foi no stand da Cervejaria Wonderland, que é parte americana, parte brasileira, e foi a grande vencedora do MBeer Brazil Contest  2019. Chegando lá, pude reencontrar a simpática Anna Lewis junto de seu marido, Chad Lewis, e de Pedro Fraga, que juntos integram o time de cervejeiros da Wonderland. Em 2018, a cervejaria foi uma das medalhistas de ouro no Mondial de La Bière Rio, com a Gone Mad; neste ano, a Wonderland faturou a medalha de Platina, o prêmio principal, com a Timeless Porter.

Pedro Fraga, Anna e Chad Lewis: cervejeiros da Wonderland, grande vencedora do MBeer Contest Brazil 2019,

A Timeless é uma cerveja no estilo American Porter, com lactose e caramelo, que sobressai no aroma e na sensação de boca; o retrogosto traz notas de café e chocolate. Possui 6,3% de ABV e 25 IBU, ou seja, amargor leve e o teor alcoólico um pouco maior que as tradicionais English Porter. “Sim o teor alcoólico é um pouco mais elevado que as Porter inglesas, mas não impõe uma percepção grande do álcool. Aliás, este é um dos motivos para classificar a Timeless dentro do estilo American Porter; a outra razão é a presença marcante do caramelo, escapando das características das English Porter”, disse Pedro Fraga.

A grande vencedora do Mondial de La Bière Rio 2019, Timeless Porter, com a medalha de platina

“Quase não inscrevemos a Timeless na competição deste ano, pois notei que nas últimas edições alguns estilos que estavam mais em voga, como a Catharina Sour, foram premiados. Esta medalha de platina traduz o esforço que a gente vem fazendo desde 2014, quando nos conhecemos. Investimos muito em receitas e testes para lançar oficialmente a Cervejaria Wonderland em 2018. Este prêmio representa um estágio a mais que a gente alcançou”, complementou Pedro.

Lucas Schuabb, da Thirsty Hawks exibindo a premiada Ovrebust

A minha segunda parada foi no stand da cervejaria Thirsty Hawks, de Niterói-RJ. O objetivo era provar a Ovrebust, umas das medalhistas de ouro do Mondial de La Bière Rio 2019. Trata-se de uma Juicy IPA razoavelmente alcoólica (6,7% ABV) e médio amargor (40 IBU), feita com uma das leveduras do momento, a Kveik. “A gente fica sempre atento às novas tendências e demandas. Com a receita da Ovrebrust, procuramos inovar no âmbito das New England usando a levedura Kveik, típica da Noruega. Na época dos testes era mais difícil de acha-la, mas aí com o tempo a gente conseguiu encontrar um volume que permitia produzir em larga escala”, disse Lucas Schuabb, um dos cervejeiros da Thirsty Hawks. Lucas revelou um aspecto inusitado: “a gente publicou uma foto da Ovrebust em nossa conta no Instagram. Aí apareceu uma família cervejeira norueguesa com o mesmo nome fazendo contato com a gente, querendo provar a nossa receita. Vamos mandar algumas Ovrebust para eles!”.

Fernando Cabaleiro, cervejeiro na BrewLab.

Outra cervejaria que vistei neste ano foi BrewLab, também de Niterói, que carrega em si um forte caráter experimental; prova disto é a sua série de New England Pale Ale chamada Haze Baze, estilo semelhante porém menos alcoólico e com menos amargor que as NEIPA. “Lançamos uma base para esta cerveja, produzimos 1.500 litros e criamos uma série de rótulos fazendo experimentações com adjuntos – manga, framboesa, côco etc. Foi uma estratégia para conseguir criar 6 cervejas diferentes usando a mesma produção”, revelou o cervejeiro da BrewLab, Fernando Cabaleiro.

Com o amigo Fabrizio Ruiz, cervejeiro da Farra Bier.

Não poderia deixar de visitar o stand da Cervejaria Farra Bier, um das minhas preferidas e que funciona na cidade do Rio de Janeiro. Provei a novidade El Colacho, uma Sour IPA bem alcoólica (8% ABV) e com médio amargor (55 IBU), que traz notas cítricas típicas do estilo Sour. Pude degustar ainda nas torneiras da Farra outras criações do cervejeiro Fabrízio Ruiz, como a NEIPA Holi, um dos meus rótulos preferidos.

Durante esta passagem pelo Mondial de Biére Rio 2019, visitei ainda o stand da cervejaria Overhop, onde experimentei outro rotulo vencedor da medalha de ouro, a Gravioh-la-la, uma Catharina Sour com adição de graviola. Passei ainda pelo stand da Three Monkeys, que também faturou a medalha de ouro com a Sour Ale “I´m Sour Baby”; entretanto, meu desejo foi matar a saudade de dois rótulos que aprecio bastante: a NE APA Galaxy Detox e a Strawberry Milk Way IPA, com lactose e morango.

Outro stand visitado foi o da cervejaria mineira Capa Preta, uma das minhas preferidas, onde provei mais uma vez a deliciosa NE IPA Pina Colada. Este rótulo utiliza a mesma base da Euphoria Juicy, mas só pode ser encontrada nas torneiras da TapRoom da Capa Preta em Belo Horizonte. Por fim, visitei o stand Du Pappi, do meu amigo Luiz Coqueiro, filho do mestre cervejeiro Laert Coqueiro, criador das Gotinhas Du Pappi. Luiz me apresentou seu lançamento: uma versão das gotinhas Du Pappi com aroma de Maracujá.

Infelizmente, como já disse, não deu para provar todos as cervejas em um só dia no Mondial, mas consegui encontrar todos os rótulos que pretendia. A única nota particularmente triste no Mondial de La Biére Rio 2019 foi a ausência de cervejarias do Nordeste do Brasil; ano passado, havia apenas a Ekaut, de Pernambuco, representando as cervejarias nordestinas. Neste ano, não encontrei uma sequer. Que venha o Mondial de La Bière Rio 2020 !

Flor do Umbuzeiro: Gravetero lança nova cerveja com adjunto original da Caatinga

A cervejaria Gravetero, vinculada aos trabalhadores da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC),  região do Sertão do São Francisco – BA, lançou novo rótulo da sua série de cervejas com a adição de Umbu, fruta típica do Semiárido Brasileiro. Trata-se da “Cerveja de Umbu Belgium Pale Ale”, que passa a integrar o catálogo da Gravetero ao lado a Saison Farmhouse de Umbu da Gravetero, que estampou a primeira matéria publicada no blog Lupulado.

“As nossas cervejas utilizam insumos e adjuntos de pequenos produtores, especialmente o Umbu; no caso da saison, a receita leva maltes fornecidos pelos pequenos produtores de Picada Café-RS, com o auxílio de uma cooperativa parceira, a Coopernatural. Já esta Belgium utiliza insumos e adjuntos produzidos na Bahia; procuramos apoiar os (sic.) catadeiros e catadeiras de Umbu da região de Canudos, Uauá e Curaçá, sempre respeitando a sociobiodiversidade da caatinga”, explicou o cervejeiro Emanuel Messias, responsável pelas cervejas de Umbu da Gravetero.

 

A Belgium Pale Ale entrega no aroma notas cítricas originais do Umbu, combinadas ao dulçor típico das cervejas belgas trapistas. Outro aspecto interessante é a sua espuma suave, formada por bolhas finas que remetem à outro aspecto semelhante percebido em cervejas trapista e abadia, que foram analisadas anteriormente aqui no blog. “Sempre gostei e apreciei a escola belga e suas cervejas, não apenas pela ousadia na criação de receitas, mas também pela inovação no uso de alguns adjuntos. Quando estou criando uma receita, pesquiso intensamente as variedades de lúpulos, maltes e leveduras, que possam estar dentro desses estilos”, revelou o cervejeiro.

Esta novidade da Gravetero apresentou também uma sensação de boca aveludada, cor acobreada e opaca, amargor médio (21 IBU) e razoável teor alcoólico (ABV 5,4) Como não poderia deixar de ser, a cerveja foi harmonizada com um bode assado típico do Vale do São Francisco. “Quando falamos em cervejas artesanais, sempre destacamos a possibilidade de percorrer uma imensa aventura sensorial. A escola belga se destaca pela criatividade e sabores complexos, sendo uma inspiração para mim; aí resolvi arriscar e inovar com adição de Umbu, uma fruta exclusiva do bioma caatinga”, finalizou Emanuel Messias.

 

A  Cerveja de Umbu Belgium Pale Ale” pode ser encontrada com certa facilidade nas lojas especializadas em cerveja artesanal, dentre elas: Empório do Vinho e Central da Caatinga (Juazeiro); Supermercado Regente, Lorena Conveniência, Casa do Vinho, Hotel Lazar e Mini-Mercado Frutos da Terra (Petrolina); Empório Castano e Quitanda do baianinha (Salvador); além das lojas da COOPERCUC em Uauá, Canudos e Curaçá.

#PegaVisão: Six Row da Biônica

Na semana passada saiu lote da “Six Row” uma American India Pale Ale Single Hop da Biônica HomeBrew, cervejaria artesanal localizada em Salvador. O blog Lupulado teve acesso à novidade para publicar na coluna #pegavisão.

O nome Six Row é uma referência ao malte de seis fileiras utilizado na receita; o aroma da cerveja revelou a presença marcante de malte de caramelo. “Sim, a Six Row tem um aroma bem carregado no caramelo, apesar de eu ter utilizado pouco malte caramelizado no blend. Neste caso, houve realmente a intenção de lembrar uma IPA Inglesa, tanto que também utilizei uma levedura da Inglaterra, apesar da Six Row ser classificada como American IPA Single Hop ”, revelou Tiago Lima, cervejeiro da Biônica HomeBrew. “Mesmo utilizando apenas um tipo de lúpulo, obtive como resultado uma cerveja bastante lupulada, na medida certa para não sobressair às características dos maltes”, complementou.

Além do aroma marcante de caramelo, a Six Row apresentou coloração acobreada e opaca; corpo médio alto, espuma bem cremosa e densa. O amargor e o teor alcoólico também são razoavelmente moderados para uma IPA, apresentando 45 IBU e 6% ABV. Via de regra, a harmonização foi feita com uma suculenta peça de alcatra assada.

Tiago está em atividade no cenário da produção de cerveja artesanal há cerca de cinco anos. Era um dos sócios da Cervejaria Moringa, também localizada em Salvador. Com o fim da sociedade, fundou há dois anos a Biônica HomeBrew. “A Biônica surgiu do meu desejo desenfreado de produzir cerveja. As minhas cervejas são feitas em casa, na panela, de forma totalmente experimental e independente. Tenho cerca de 30 receitas e cada uma envolve pesquisa, experimentação e um pouco de improviso também. Costumo recorrer a adjuntos de pequenos agricultores da Bahia, como o limão rosa do Capão, água de coco, café orgânico de Piatã etc.” disse o cervejeiro.

Interessados e interessadas em experimentar a Six Row e outras receitas da Biônica HomeBrew podem entrar em contato com Tiago diretamente através de suas contas no Instagram. “As minhas cervejas já estavam disponíveis para os soteropolitanos muito antes deste boom de cervejas artesanais. A Biônica é uma das cervejas mais artesanais de Salvador; não uso nada automatizado, artificial e nenhum conservante”, disse  o cervejeiro.

Apesar da proposta genuinamente artesanal da Biônica Homebrew, Tiago enfatizou as dificuldades que alguns cervejeiros caseiros encontram para disponibilizar suas cervejas, em face das certificações. Como foi noticiado no Blog Lupulado meses atrás, no estado de Minas Gerais, por exemplo, existe uma lei que contempla e facilita a produção de cerveja caseira; neste casos, como já foi dito aqui no Blog, o cervejeiro caseiro pode ser considerado um artesão, igual a outros artesãos que fazem cosméticos, tecidos, porcelanas etc.

Dia da Vaca

Mais um evento no formato “torneiras abertas” acontecerá em Salvador no próximo dia 06 de Julho. Trata-se do “Vaca Day”, nomeado em referência ao conhecido ícone da Seasons Craft Brewery. Estabelecida em 2010 na cidade de Porto Alegre, a cervejaria vai disponibilizar sete rótulos nas torneiras da Vitrine da Cerveja, conhecido reduto de cervejeiros e fãs de cervejas artesanais na capital da Bahia. O sistema será o mesmo adotado em outros eventos que aconteceram no local: torneiras abertas para degustação livre, das 14h às 17h, mediante pagamento do ingresso.

Holy Cow 2: Um dos rótulos confirmados nas torneiras durante o Vaca Day

“Foi um pedido da galera. Em nosso último evento open tap, o Dogma Day, fizemos uma pesquisa com os clientes para saber qual cervejaria eles gostariam que estivesse em nossas torneiras na próxima vez. Ganhou a Seasons!”, disse Claiton Santos, proprietário da Vitrine da Cerveja. “Estamos preparando uma tap list bem especial, incluindo a Vaca das Galáxias com Bergamota, uma cerveja que só sai uma vez por ano, e ainda uma surpresa que pretendo divulgar em breve”, revelou Claiton. Confira os cinco rótulos anunciados até agora para o “Vaca Day”:

1 –Vaca das Galáxias com Bergamota – Double IPA,

2 – Basilicow – WitBier com Manjericão

3 – Holy Cow 2 – West Coast IPA

4 – Green Cow – American IPA,

5 – Porter da Esperança- Porter,

Basilicow é outro rótulo confirmado nas torneiras da Vitrine da Cerveja

Para harmonizar com as cervejas da Seasons, o cervejeiro tem a opção de comprar petiscos preparados pela Chef Ana Abade, responsável pela Feijoada Premium Salvador. O som ficará por conta de Jeff Duque. Os ingressos do Vaca Day custam 90 reais (sócios do Clube do Chopp pagam 80 reais); podem ser comprados pela internet ou na loja física da Vitrine da Cerveja, situada na Alameda Benevento, 245, Edf.: Nel Center, 1o Andar, Pituba, Salvador.

Agua de Meninos lança rótulo que combina licuri e mel de cacau

No sábado passado, a cervejaria baiana Água de Meninos lançou Origem, primeiro rótulo da série Sertões, em evento realizado na Casa OLEC, Salvador. “Sertões é uma é uma série de cervejas criada com a proposta de utilizar ingredientes de pequenos produtores da Bahia e insumos vindos do sertão baiano”, disse Abdon Menezes, sócio da Água de Meninos. “Na Origem, utilizamos o licuri da COOPES, de Capim Grosso, e o mel de cacau da Sucuri em Plumas, pequeno produtor no sul do estado. É um conceito da Água de Meninos usar insumos de pequenos produtores da Bahia”, completou Abdon.

Da esq. para dir.: Abdon Menezes, o cervejeiro Mário Baqueiro e Márcia Sentges

Outra especificidade da Série Sertões é a contribuição de um Chef de Cozinha nas receitas, sugerindo adjuntos. “Na Origem, quem assinou foi o Chef Fabricio Lemos, que é bem conceituado no Brasil. A ideia é que outros profissionais possam fazer eventuais contribuições em nossas futuras receitas”, disse Marcia Sentges, sócia da Água de Meninos. “O nome Origem, inclusive, faz dupla referência: por ser a primeira cerveja da série Sertões e por ser o nome do restaurante do Chef Fabrício aqui em Salvador”, revelou Márcia.

No evento, foi possível degustar a Origem em garrafa e na torneira, além de experimentar harmonizações com pratos regionais. A cerveja apresentou aroma com notas bem presentes de caramelo, biscoito e licuri; corpo médio, pouco amarga (IBU 20) e com teor alcoólico moderado (ABV 6%); bem refrescante e com um retrogosto adocicado, características proporcionadas pelo mel de cacau. O estilo Specialty Beer, via de regra, sinaliza para o uso de adjuntos mais inusitados na fermentação, no caso da Origem, o licuri e o mel de cacau.

Visual da Origem

A proprietária da casa Olec, Carolina Nonaka, enfatizou que a “casa está sempre aberta a estes eventos especiais. Além do lançamento de cervejas, já fomos anfitriões em um evento de jogo de xadrez. Estamos ainda preparando um concurso de cerveja artesanal, que lançaremos em breve.

Carolina Nonaka da Casa Olec.

Druida: Uma referência à natureza e ao RPG

A coluna Pega Visão traz uma novidade que dialoga com a cultura estabelecida pelos role playing games (RPG). A cervejaria baiana BardoBier lançou no último dia 18 a “Druida: Mother Nature’s Rye Ale”. Como o próprio nome sugere, esta cerveja segue o estilo das Rye Ale, que implica na adição de maltes de centeio. É a primeira vez que Bardo produz a Druida comercialmente. “Esta receita nasceu nas panelas. Fomos modificando ao longo do tempo até que ela chegasse nesse estado atual, que acreditamos estar satisfatório para o conceito que buscávamos lá no início”, disse um dos cervejeiros da Bardo, Victor Carvalho.

A Bardo surgiu em 2016, quando os 5 sócios atuais – Victor, Mateus, Henrique, Filipe e Danilo – resolveram unir esforços, conhecimentos e habilidades para profissionalizar a ideia e construir a Bardo como ela é hoje, no formato cigano. Em 2019 o grupo lançou seu primeiro rótulo cigano: a Druida.

“A BardoBier tem a proposta de fazer conexões entre cerveja e narrativas, pois os Bardos eram trovadores medievais, que viajavam pelas tavernas contando histórias e tocando músicas. Sempre que bebemos com os amigos, tendemos a contar histórias; então, nós somos os bardos da contemporaneidade. O nome também tem conexão com RPG, como é o caso do perosnagem Druida. No RPG, o Druida é uma classe responsável pelo suporte do grupo. Ele utiliza forças da natureza (por isso chamamos de nossa cerveja de Mother Nature’s Rye Ale) para curar e conferir habilidades especiais ao grupo, embora possam atacar com bastante ferocidade se necessário. Escolhemos lançá-la como nossa primeira cerveja comercial não apenas por ser uma de nossas receitas favoritas, mas pelo próprio conceito da BardoBier. Nos consideramos um grupo de 5 amigos, no qual todos contribuem com habilidades complementares e extremamente importantes para o funcionamento da cervejaria. Então, de certa forma, cada um de nós acaba oferecendo suporte ao coletivo”, explicou Victor .

Jogando com Druida

A cerveja foi testada mais de uma vez nos primeiros dias que sucederam seu lançamento; foi degustada bem fresca, direto das torneiras da Vitrine da Cerveja e do Bahia Malte. A Druida apresentou rápida formação de espuma levemente densa, aroma bem marcante com notas de frutas como damasco e melão; cor cobre, opaca e corpo aveludado; levemente alcóolica (5,4 ABV) e médio amargor (IBU 40).

“O estilo (Rye Ale) parte da quantidade de malte de centeio que é utilizado. Para a Druida, optamos por utilizar o percentual máximo recomendado de utilização do grão, que é 20%. Queríamos explorar o máximo de características típicas desse insumo no resultado final de uma cerveja. O centeio confere maciez ao corpo da cerveja, tornando-a mais aveludada, além das sensações de crisp e spicy”, disse outro cervejeiro da Bardo, Mateus Magalhães

“Este aroma frutado vem exclusivamente do blend de lúpulos utilizado na receita. A ideia era trazer lembrança de frutas amarelas, fazendo mais uma referência ao nome da cerveja e sua relação com o Druida. Nesse caso, a sensação de frutas pode ser interpretada como uma ‘ilusão’ da mãe natureza”, revelou Victor. “A Druida leva adição de lúpulos com forte perfil aromático no final da fervura e no DH. O cuidado especial vai desde a criação da receita, passa pela análise de frescor do insumo e seguindo para os momentos exatos de adição uma combinação de lúpulos complementares para atingirmos as características que pretendíamos”, finalizou.