Juazeiro recebe sua primeira fábrica de cerveja artesanal

Foi inaugurado no último dia 06 o primeiro Brew Pub, e consequentemente a primeira fábrica de cerveja artesanal, na cidade de Juazeiro, Bahia. A Cervejaria NordHaus funciona nas instalações da novíssima “Vila Bossa Nova”, um complexo de estabelecimentos situado na orla do Rio São Francisco, que fica próximo ao monumento do Vaporzinho. Brew Pub é um tipo de fábrica que vende a cerveja no próprio local de produção; trata-se de uma forma de garantir que a cerveja fabricada por lá esteja sempre fresca, sem sofrer os desgastes típicos do transporte e do armazenamento de garrafas ou latas.  A capacidade de produção da fábrica da NordHaus chega a 24 mil litros; seis estilos podem ser encontrados nas torneiras: Pilsen Weiss, Lager, Red Lager, IPA e Imperial Stout.

O cervejeiro da NordHaus, Emerson Castro.

“Contratamos um consultor renomado, o mestre cervejeiro Ilceu Dimer, que aperfeiçoou as nossas receitas. Nesta primeira semana, notamos que a IPA foi uma das cervejas mais pedidas pelos clientes; a Red Lager também teve uma procura muito boa. ”, disse o cervejeiro Emerson Castro, um dos sócios da NordHaus. A IPA Nordhaus é bem seca e cremosa, lembrando as IPAs americanas, razoável teor alcoólico (5,5% ABV) com amargor moderado (50 IBU). Já a red lager, além da cor avermelhada, apresenta notas suaves de caramelo, pouco amargor e  baixo teor alcoólico.  Junto dos pedidos nas mesas, o público dispõe de um modo self-service, isto é, eles e elas podem tirar diretamente o chopp nas torneiras, que é controlado por um sistema operacional especifico. O litro de chopp no sistema self-service custa entre R$ 20 – 35 reais. A Nordhaus dispõe também de uma loja com produtos temáticos, como Growlers, bonés, camisetas, copos etc.

Acima, régua de degustação com Pilsen, Lager, Red Lager e Imperial Stout. Abaixo, a IPA da Nordhaus.

“No primeiro momento,vamos trabalhar com torneiras e a produção da casa. Em janeiro, estaremos disponibilizando as primeiras cervejas engarrafadas. Em fevereiro, pretendemos abrir a casa para cervejarias ciganas. Queremos também fazer eventos com os demais cervejeiros do Vale do São Francisco, como o Oktober Fest que acontece anualmente na HausBier, em Petrolina”, falou Emerson, que também é sócio da HausBier junto de seus cunhados, os empresários Ubaldo e Ubiratan Rios, e dos sobrinhos cervejeiros, Mancell e Birinha Rios. A família também é responsável pelo funcionamento da NordHaus.”A NordHaus nos dá a oportunidade de produzir e oferecer nossas próprias cervejas, visto que a HausBier é uma franquia e por isso devemos seguir obrigatoriamente a receitas deles”, explicou Emerson.

Tanques na fábrica da NordHaus.

Outro aspecto destacado pelo cervejeiro foi contratação dos colaboradores que trabalham na cervejaria. “O pessoal chegou aqui para fazer a reforma e instalar os equipamentos neste casarão, que data de 1892. A maioria ficou desempregada quando concluímos a obra, aí eu perguntei se eles queriam continuar, se estavam afim de aprender novas funções etc. Investimos na capacitação deles. Os colaboradores e as colaboradoras que você está vendo aí agora, trabalhando como garçons, garçonetes, atendentes, na cozinha etc., foram os mesmos que me ajudaram a construir a fábrica”, finalizou Emerson.

Serviço:

Cervejaria NordHaus

Vila Bossa Nova, Orla 2, Juazeiro, Bahia

Funcionamento: De segunda a sexta depois de 17h /Sábados e domingo a partir de 12h.

Veja algumas imagens  e  vídeos do que rolou por lá no último final de semana!

Os cervejeiros Marcos “Kiko” Vianna (esq), Mancell Rios e Edinho Galvão saboreando os estilos da NordHaus

O cervejeiro Ubiratan “Birinha” Rios nas torneiras da NordHaus.

O empresário Ubaldo Rios (centro) e o cervejeiro Diógenes Batista (dir.

Lupulado cercado pelos amigos Marcos “Kiko” Vianna (dir) e jornalistas Fávio Ciro e Luiz Hélio Alves (esq).

Com os amigos de longa data, agora colaboradores da NordHaus, Alessandro (esq) e Danilo

 

Prefeito de Juazeiro, Paulo Bonfim (esq), e o Deputado Estadual-BA, Zó, prestigiando a NordHaus e a Vila Bossa Nova.

Roda de chorinho aos domingos, a partir das 14h, com o grupo Matingueiros.

Beba Local: Vai começar o III Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco

No próximo sábado (09) acontece em Petrolina a terceira edição do “Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco”, um evento que reflete o cenário cervejeiro da região. Como nos anos anteriores, a festa acontecerá na Chácara Millenium funcionando no sistema de “torneiras abertas”, isto é, o cervejeiro pode degustar à vontade os rótulos servidos no festival. Até agora, 23 cervejarias da região já confirmaram presença, disponibilizando mais de 20 rótulos de 15 estilos  diferentes de cerveja. Ainda dá tempo de conseguir seu ingresso.

“O Festival é uma forma incentivar o público do Vale do São Francisco a nos procurar e começar a fazer cerveja artesanal. Neste ano teremos novos cervejeiros participantes”, disse Felipe Zoby, membro do coletivo Cervejeiros do Vale, os organizadores do evento, que esperam por volta de 300 participantes em 2019. “A gente também fez uma mudança no horário, começando a partir das 14h por conta do calor; procuramos também revezar as bandas que irão se apresentar no evento(neste ano serão Doctor Blues e The Odd Folks) e fizemos uma parceria com o Gelo & Sal, atualmente um dos restaurantes preferidos da galera, que terá exclusividade nos pratos oferecidos para harmonização com as cervejas”, complementou Zoby.

Felipe Zoby com o prêmio de melhor cerveja pelo voto popular na edição passada do Festival de Cerveja Artesanal do vale do São Francisco-

A tap list preparada para o III Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco apresenta estilos conhecidos do publico da região, como Lager, APA, IPA, Witbier etc., e outros que ainda não haviam marcado presença nas edições anteriores, como a Kveik Farmhouse Ale e a Dark Strong Ale. Outros destaques na tap list são a maior oferta de New England IPA (NEIPA), com três rótulos de três cervejarias distintas, e uma cerveja colaborativa estilo Saison, feita com uva Vitória. “Neste ano, a minha cervejaria (Maribondo Sam) está apostando numa edição da Padim Cicerista, que criamos especialmente para o festival, envelhecida com chips de carvalho; será a primeira vez que serviremos ela em barril, sem refermentação em garrafa!”, finalizou Zoby, que foi o grande vencedor no voto popular na edição do ano passado com uma porter de chocolate e menta.

Paranorama da Chrácara Millenium, durante a edição passada do Festival de Cerveja Artesanal do Vale do São Francisco”.

 

Os ingressos para o festival podem ser adquiridos pelo preço inicial de R$100 através do link no Sympla ou nos pontos de venda: Empório Saint Anthony, RockDog, Hamburgueria 961, Doutorado do Chopp, em Petrolina; Top Distribuidora e Gelo & Sal, em Juazeiro.

Flor do Umbuzeiro: Gravetero lança nova cerveja com adjunto original da Caatinga

A cervejaria Gravetero, vinculada aos trabalhadores da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC),  região do Sertão do São Francisco – BA, lançou novo rótulo da sua série de cervejas com a adição de Umbu, fruta típica do Semiárido Brasileiro. Trata-se da “Cerveja de Umbu Belgium Pale Ale”, que passa a integrar o catálogo da Gravetero ao lado a Saison Farmhouse de Umbu da Gravetero, que estampou a primeira matéria publicada no blog Lupulado.

“As nossas cervejas utilizam insumos e adjuntos de pequenos produtores, especialmente o Umbu; no caso da saison, a receita leva maltes fornecidos pelos pequenos produtores de Picada Café-RS, com o auxílio de uma cooperativa parceira, a Coopernatural. Já esta Belgium utiliza insumos e adjuntos produzidos na Bahia; procuramos apoiar os (sic.) catadeiros e catadeiras de Umbu da região de Canudos, Uauá e Curaçá, sempre respeitando a sociobiodiversidade da caatinga”, explicou o cervejeiro Emanuel Messias, responsável pelas cervejas de Umbu da Gravetero.

 

A Belgium Pale Ale entrega no aroma notas cítricas originais do Umbu, combinadas ao dulçor típico das cervejas belgas trapistas. Outro aspecto interessante é a sua espuma suave, formada por bolhas finas que remetem à outro aspecto semelhante percebido em cervejas trapista e abadia, que foram analisadas anteriormente aqui no blog. “Sempre gostei e apreciei a escola belga e suas cervejas, não apenas pela ousadia na criação de receitas, mas também pela inovação no uso de alguns adjuntos. Quando estou criando uma receita, pesquiso intensamente as variedades de lúpulos, maltes e leveduras, que possam estar dentro desses estilos”, revelou o cervejeiro.

Esta novidade da Gravetero apresentou também uma sensação de boca aveludada, cor acobreada e opaca, amargor médio (21 IBU) e razoável teor alcoólico (ABV 5,4) Como não poderia deixar de ser, a cerveja foi harmonizada com um bode assado típico do Vale do São Francisco. “Quando falamos em cervejas artesanais, sempre destacamos a possibilidade de percorrer uma imensa aventura sensorial. A escola belga se destaca pela criatividade e sabores complexos, sendo uma inspiração para mim; aí resolvi arriscar e inovar com adição de Umbu, uma fruta exclusiva do bioma caatinga”, finalizou Emanuel Messias.

 

A  Cerveja de Umbu Belgium Pale Ale” pode ser encontrada com certa facilidade nas lojas especializadas em cerveja artesanal, dentre elas: Empório do Vinho e Central da Caatinga (Juazeiro); Supermercado Regente, Lorena Conveniência, Casa do Vinho, Hotel Lazar e Mini-Mercado Frutos da Terra (Petrolina); Empório Castano e Quitanda do baianinha (Salvador); além das lojas da COOPERCUC em Uauá, Canudos e Curaçá.

#PegaVisão: Six Row da Biônica

Na semana passada saiu lote da “Six Row” uma American India Pale Ale Single Hop da Biônica HomeBrew, cervejaria artesanal localizada em Salvador. O blog Lupulado teve acesso à novidade para publicar na coluna #pegavisão.

O nome Six Row é uma referência ao malte de seis fileiras utilizado na receita; o aroma da cerveja revelou a presença marcante de malte de caramelo. “Sim, a Six Row tem um aroma bem carregado no caramelo, apesar de eu ter utilizado pouco malte caramelizado no blend. Neste caso, houve realmente a intenção de lembrar uma IPA Inglesa, tanto que também utilizei uma levedura da Inglaterra, apesar da Six Row ser classificada como American IPA Single Hop ”, revelou Tiago Lima, cervejeiro da Biônica HomeBrew. “Mesmo utilizando apenas um tipo de lúpulo, obtive como resultado uma cerveja bastante lupulada, na medida certa para não sobressair às características dos maltes”, complementou.

Além do aroma marcante de caramelo, a Six Row apresentou coloração acobreada e opaca; corpo médio alto, espuma bem cremosa e densa. O amargor e o teor alcoólico também são razoavelmente moderados para uma IPA, apresentando 45 IBU e 6% ABV. Via de regra, a harmonização foi feita com uma suculenta peça de alcatra assada.

Tiago está em atividade no cenário da produção de cerveja artesanal há cerca de cinco anos. Era um dos sócios da Cervejaria Moringa, também localizada em Salvador. Com o fim da sociedade, fundou há dois anos a Biônica HomeBrew. “A Biônica surgiu do meu desejo desenfreado de produzir cerveja. As minhas cervejas são feitas em casa, na panela, de forma totalmente experimental e independente. Tenho cerca de 30 receitas e cada uma envolve pesquisa, experimentação e um pouco de improviso também. Costumo recorrer a adjuntos de pequenos agricultores da Bahia, como o limão rosa do Capão, água de coco, café orgânico de Piatã etc.” disse o cervejeiro.

Interessados e interessadas em experimentar a Six Row e outras receitas da Biônica HomeBrew podem entrar em contato com Tiago diretamente através de suas contas no Instagram. “As minhas cervejas já estavam disponíveis para os soteropolitanos muito antes deste boom de cervejas artesanais. A Biônica é uma das cervejas mais artesanais de Salvador; não uso nada automatizado, artificial e nenhum conservante”, disse  o cervejeiro.

Apesar da proposta genuinamente artesanal da Biônica Homebrew, Tiago enfatizou as dificuldades que alguns cervejeiros caseiros encontram para disponibilizar suas cervejas, em face das certificações. Como foi noticiado no Blog Lupulado meses atrás, no estado de Minas Gerais, por exemplo, existe uma lei que contempla e facilita a produção de cerveja caseira; neste casos, como já foi dito aqui no Blog, o cervejeiro caseiro pode ser considerado um artesão, igual a outros artesãos que fazem cosméticos, tecidos, porcelanas etc.

Uma tarde com Dogma

A capital da Bahia oferece diversos locais onde é possível desfrutar de momentos agradáveis em uma tarde, como descreveu Vinicius de Moraes em sua famosa letra sobre o bairro de Itapuã. Para os cervejeiros de Salvador, uma ocasião semelhante aconteceu sábado passado (11) na varanda da Vitrine da Cerveja. O evento “Dogma Day” reuniu oito rótulos da famosa cervejaria paulistana Dogma, servidos no sistema “torneiras abertas”: Entre 14h e 17h, o público pôde degustar à vontade as cervejas nas torneiras do estabelecimento.

Staff da Vitrine da Cerveja durante os trabalhos no Dogma Day.

A Cervejaria Dogma foi formalmente estabelecida em 2015. Nos três anos seguintes – 2016, 2017, 2018 – foi considerada pelos usuários do site RateBeer como a melhor cervejaria do Brasil. Algumas das cervejas produzidas pela Dogma são vendidas exclusivamente no BrewPub, que funciona na rua Fortunato, região central de São Paulo. Dois dos rótulos disponíveis na tarde de sábado, durante o Dogma Day, só podem ser encontrados por lá. “É a primeira vez que acontece o Dogma Day em Salvador. É uma forma que encontramos de celebrar uma cervejaria tão especial quanto a Dogma”, destacou Claiton Santos, diretor comercial da Vitrine da Cerveja.

Claiton Santos, da Vitrine da Cerveja.

Confira a tap list do Dogma Day:

1. Cupcake Sweet Stout (exclusividade do BrewPub Dogma),

2.  Post Mortem – Imperial IPA (exclusividade do BrewPub Dogma),

3.  Brettality – Imperial IPA,

4. Touro Sentado – American IPA,

5. Cafuza – Black Imperial IPA,

6. Citra & Mosaic Lover – Imperial IPA,

7. Amarillo & Cascade Lover – Imperial IPA,

8. El Dorado & Galaxy Lover – Imperial IPA,

 

No copo: Amarillo & Cascade Lover.

“Existem cervejas excelentes produzidas em Salvador. A produção e a qualidade das cervejas baianas aumentaram consideravelmente. Nos últimos meses,  tivemos eventos open tap na cidade e região metropolitana onde bebemos basicamente os rótulos daqui, seguindo o famoso lema #bebalocal. O Dogma Day tornou-se um evento interessante, pois foi uma oportunidade legal de apreciar de uma vez só rótulos desta famosa cervejaria, que não é de Salvador”, disse Iuri Leite, um dos presentes. “Sim, está sendo uma tarde muito agradável, bom que a chuva deu um tempo”, complementou.

Igor Amorim (esq.) e Lauro Ramos: apreciadores da Dogma

“Na minha humilde opinião de quem está há pouco tempo bebendo cerveja artesanal, eu acho a Dogma uma das melhores cervejarias do Brasil. Para mim é a que mais proporciona sabor e aroma. A minha cerveja favorita é produzida por eles: a SourMind”, disse Lauro Ramos, outro participante do Dogma Day. “Eu conheci a Dogma por conta da cerveja Magnum Opus, criada por eles, e virei fã. Hoje meu rótulo preferido é a Hop Lover”, disse Igor Amorim, que destacou a sensacional carga de lúpulos que as receitas Dogma carregam.

Tarde tranquila no Dogma Day.

Nesta primeira edição do Dogma Day em Salvador, a carga total foi de cinquenta ingressos, que esgotaram cerca de uma semana antes do evento. Foram consumidos quase 180 litros de chopp nas oito torneiras.

Público ocupando a varanda da Vitrine da Cerveja no Dogma Day.

Além disso, as latas de cerveja Dogma disponíveis na Vitrine da Cerveja estavam com 20% de desconto. Bonés, camisetas, growlers, taças e outros produtos temáticos da Dogma também estavam à disposição dos presentes. A música ao vivo ficou por conta de Jeff Duque. A Innamoratta Burguer House ofereceu as opções para harmonização.

De São Paulo para Salvador: Torneiras, algumas exclusivas, do BrewPub da Dogma. O Lupulado esteve por lá em dezembro.